sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Poemas classificados para votação no blog. Os textos não estão em ordem de classificação. A votação  será realizada nos nos dias 14 a 17 de agosto.



1
Cavalos-marinhos, ou como a maré nos leva
Diego Malachias

Meu velho perdeu a vida
            na maré que escavaca
                        que vem, que parte, mas volta
                                   Era num mar de álcool e bebida
que ele boiava em ressaca.

De tarde no litoral
            eu evitava as pegadas
                        que ele fizera na aurora.
                                   Numa cauda em espiral
eu li vidas indagadas.

Lá um cavalo-marinho,
            encalhado, morto, grávido,
                        com a cauda perguntava:
                                   “Por que caminhas sozinho?”
E voltava ao mar impávido.

Sem eu poder contestá-lo,
papai mergulhou no mar,
                        embriagado, e disse:
                                   “Vou ali caçar cavalo,
mas devo logo voltar.”

E vendo o cavalo morto,
            “Com qual cavalo ele está?”,
                        hoje me indago em meus prantos.
                                   E caço em tudo que é porto
em qual maré voltará.

O seu mar em mim entorna,
molha o cinto e o colarinho
como na canção descubro:
nem tudo que vai retorna.
Vejo um cavalo
mar
i
       nho.

2

O meu mar
Tiara Camargo

E, na imensidão do meu mar de ideias,
busco por uma que me faça aportar em terra firme.
Ou deixo-me levar pela maré
e aprendo, de vez, a nadar.


3

Inerte
Tiago André Vargas

O céu revolto se debatia sobre a janela
Tudo era negro ou quase
O vento de luto
Minha camisa sem botão
Saí pela porta
Pus as mãos sobre os olhos
Areia voava
Grãos cinza que não eram cinzas voavam como cinzas
O banco da praça não voava mas parecia querer
Andei para o mar
Sentei-me na areia
Assisti tudo girar
Plainar
Zumbir
As latas de alumínio esboçando decolo
Sem sol para fazê-las brilhar
E não havia cães
Árvores
Vida
Contemplava um desenho a carvão inacabado
Desenho cujo artista jogou fora
Como pôde não amassar?
As ondas eram empurradas contrariadas para mim
Fugiam repulsivamente de volta
Eram negras
Escuras como olhos de ratos
E tinham medo de mim
Fugiam de mim
E o desenho foi rasgado ao meio
Uma pipa brilhante
Voando alto
Voando baixo
A única coisa que voava
A única coisa que tinha vida
A única coisa colorida
Eu quis pegá-la
Poderia tê-lo pega
Mas hesitei por um momento
O tempo de uma onda quebrar
E ela voou mais alto
Além
E eu me tranquilizei
Pois agora não mais poderia tê-la
Nem que corresse
Nem que voasse
Ela se foi
Depois a tempestade cessou
Surgiram duas ou três cores
Um cão amarelo queimado
Uma lata de cerveja iluminada pelo sol
Uma banhista pálida
E tudo me pareceu ainda mais cinza
E as ondas não tinham mais medo de mim
Elas riam de mim
Sorriam como ratos
Quebravam nos meus pés
Falsas
Estavam de luto por um desconhecido
E eu também
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4

A TRADUÇÃO DO MITO

Elias Antunes

Traduzir o olhar no espelho
do homem e esse oscilar
de bambu ao
               vento.

Traduzir os latidos do tempo
E a chaga aberta como
Uma rosa dolorida,
Expondo sua condição
De carne condenada
                      ao dia.

Traduzir a canção despedaçada
Como uma borboleta
                         corrompida.

Traduzir as manadas de luas
No poema inútil.

Traduzir a mágica possível
No lodo irrevogável.

Traduzir os escritos no
Muro entre mamíferos.

Traduzir as marés que vacilam.

Traduzir a linguagem
Da alma, de perdão ou de
                           sombra.

5

Maré
Raiana Soares Oliveira Cruz


Querido,
Me desculpe por tanta oscilação

Se teu sentimento é tocha

O meu é vulcão


Sinto muito se te confundo
Se neste mar
Te arrasto para o fundo
E fujo para praia


Amo o teu calor
Mas quero a liberdade
De um beija-flor

Querido,
Entenda como é
Se o teu amor
É um lago constante
O meu é a maré!

6
Solidão me fez maré
Ribamar Junior


Não sou egoísta suficiente
Pra dizer que ando com a
Razão
Pois tenho medo de te perder
e me perder por querer
o que não sei se é meu
Então
Cobre-me em teu lençol
Pra eu esquecer que a minha ganância
Existe
Que eu estou parado
Tentando quebrar o mar
Que desfaz o silêncio de se suportar
Sim
Como as pedras do Arpoador
Eu chorei
Calado


7
Genealogia da maré
Luciano Machado Tomaz

Ouçam o mar! Ouçam, com calma, o mar.
A música natimorta, que está e não está.
Que sossega meu corpo débil; que exala.
Das profundezas mais excelsas,
Um deus desaba
Nos braços de uma mulher.
Atravessada por mil verões,
Vem à tona a maré.

8
MARÉ
Poeta Paz (Paulo Azevedo)

Os novos homens acordam
Em vez de uma foice nos olhos
Carregam a ternura no gesto
E um filho no colo
...
No antebraço, um espelho 
Memórias esquecidas 
E tatuadas no tempo
...
Os novos homens navegam 
Na direção de outros mares
...
Um pai a chorar
...
A maré sobe

9
Ao mar
Isabella Luiz

A maré me trouxe você
O papel em que escrevi teu nome e joguei ao mar
A dor de ler cada palavra, o código que forma, a pronúncia
Leio com a mente e parece que grito
E ecoa, e o amar trás de volta, o suplício.
O sal do mar, o sal das lágrimas.
Um mar de querer, e de ir
O esforço que fiz não foi o suficiente
O amar era mais forte, e trouxe de volta
Minhas letras manchadas num papel.
Talvez no fundo soubesse
Que o mar sempre devolve o que pertenceu a terra
Assim como meu mar de lembranças
Que vai e volta da mesma forma.

10
IZABELA RAMOS

O mar
Um morro de esperança
Que cede.
Inconstante
Que dança
Rasgando o pano do vento

Minha esperança morre
No mar, nos mares
Em um.
Que sede...
Eu morro no mar

Morrendo de medo
Do tamanho
Do peso
Na significância do mar

A esperança vai...

2 comentários:

  1. Voto no poema número 8
    MARÉ - Poeta Paz (Paulo Azevedo)

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  2. Voto no poema número 8
    MARÉ - Poeta Paz (Paulo Azevedo)

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